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Pequenas Empresas serão as mais afetadas pela mudança de jornada

Geral
jornada de trabalho | 12/03/2026 14h01

A proposta de reduzir a jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com a mudança da escala 6×1 para 5×2, pode ter impacto mais significativo sobre as pequenas empresas, que possuem menor margem de adaptação e maior dependência da força de trabalho para manter suas operações. A avaliação faz parte de um estudo técnico elaborado pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), que analisa os possíveis efeitos da mudança para o comércio e a indústria no estado.

Segundo a análise, empresas de menor porte tendem a enfrentar mais dificuldades para reorganizar a jornada dos funcionários sem aumento de custos ou redução da capacidade de atendimento ao público.

O estudo está sendo apresentado nesta semana a deputados federais e senadores, em Brasília, por representantes da Faciap. O objetivo é contribuir para o debate legislativo sobre a proposta e apresentar estimativas sobre os impactos econômicos e operacionais que a redução da jornada pode gerar para o setor produtivo.

Menor margem para adaptação

De acordo com o estudo da Faciap, grandes empresas costumam ter maior capacidade de reorganizar turnos, redistribuir equipes ou absorver parte das mudanças com ganhos de produtividade. Já as pequenas empresas, que operam com equipes reduzidas e estrutura mais enxuta, possuem menos alternativas para compensar a redução das horas trabalhadas.

Em muitos casos, a diminuição da jornada semanal exigiria a contratação de novos funcionários ou o aumento do pagamento de horas extras para manter o mesmo nível de funcionamento dos estabelecimentos.

Esse cenário pode representar um desafio adicional para pequenos negócios, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como o comércio varejista e alguns segmentos da indústria.

Impacto na economia local

A Faciap destaca que o tema tem forte impacto social, já que as pequenas empresas são responsáveis por grande parte da geração de empregos nas cidades paranaenses e exercem papel importante na dinâmica econômica local.

Mudanças no custo do trabalho ou na organização da jornada podem afetar diretamente a capacidade desses empreendimentos de manter postos de trabalho, expandir atividades ou investir no crescimento do negócio.

Por essa razão, a entidade defende que o debate sobre a redução da jornada de trabalho considere não apenas os aspectos trabalhistas da proposta, mas também os efeitos sobre a sustentabilidade dos pequenos negócios e o funcionamento da economia regional.

Debate no Congresso

A redução da jornada de trabalho é tema de diferentes projetos em discussão no Congresso Nacional. O estudo técnico elaborado pela Faciap busca justamente contribuir para esse debate, apresentando estimativas baseadas em dados oficiais do mercado de trabalho e simulações sobre possíveis cenários de adaptação das empresas.

Segundo a federação, compreender os impactos da medida sobre empresas de diferentes portes é essencial para avaliar seus efeitos sobre o emprego, a competitividade das empresas e a organização do mercado de trabalho.

Com informações de Faciap


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