COTIDIANO

Pesquisadores do PTI constroem analema, instrumento que expõe movimentação da terra em relação ao sol

O experimento foi realizado simultaneamente por 37 pesquisadores de 12 centros de estudos em astronomia do Brasil, da Argentina e da Colômbia

Foz do Iguaçu
Pesquisa e Inovação | 13/10/2016 13h27

Na metodologia usada, para construir um analema basta fazer a observação semanalmente, a partir de um mesmo ponto, no mesmo horário, pelo período de um ano. (Foto: Assessoria PTI )

Durante um ano, os pesquisadores do Polo Astronômico Cassimiro Montenegro Filho, de Foz do Iguaçu, realizaram observações quanto a posição do sol, registrando a variação em seu percurso com a construção de um analema solar. O analema é um desenho, cujo formato lembra o número 8. Para a construção da figura, todas as segundas-feiras, no mesmo horário, os pesquisadores fizeram uma marcação no topo da sombra projetada por um pilar fixo no jardim do Polo. A posição das cerca de 50 marcações formaram o interessante traçado.

O fenômeno se deve ao movimento aparente do Sol ao longo de um ano. “O mecanismo concretiza a dinâmica da movimentação do planeta. Não se percebe, mas ao longo do ano, o percurso do sol no céu se altera de forma cíclica, o que se deve a inclinação do eixo do planeta Terra que é de 23°5'. Com o analema conseguimos perceber claramente este movimento que se chama revolução, mas popularmente conhecido como translação”, explica o coordenador do Polo Astronômico, Janer Vilaca.

As extremidades do analema demarcam as alternâncias das estações. “O ponto extremo ao norte marca o solstício de verão [que ocorre aproximadamente no dia 21 dezembro], estação que segue até o eixo central da figura, em maio, momento em que inicia o outono. O ponto mais alto da imagem, ao sul, é quando acontece o solstício de inverno, que também segue também até o centro da figura, iniciando a primavera, em setembro”, explica o pesquisador. “Vale ressaltar que as estações aqui mencionadas são para o hemisfério sul, pois no norte acontece exatamente o inverso em termos de características”, complementa.

Se o experimento for realizado novamente no mesmo local, ou em cidades próximas, o desenho resultante será sempre idêntico ao obtido no Polo. No entanto, haverá diferenciação se a pesquisa for realizada em regiões mais próximas (ou mais afastadas) da Linha do Equador. Quanto mais longe da Linha do Equador, mais assimétricas (esticadas) ficarão as dimensões da figura resultante.

O experimento foi realizado simultaneamente por 37 pesquisadores de 12 centros de estudos em astronomia do Brasil, da Argentina e da Colômbia. O projeto de observação conjunta buscou, entre outros, gerar material didático para divulgação e ensino da astronomia e geografia. “Em qualquer lugar é possível construir um analema. É uma atividade que exige apenas a observação sistemática a qual proporcionará a vivência de uma pesquisa científica, enriquecendo a construção do conhecimento. É explorar a natureza em favor do  conhecimento, percebendo seus ciclos e processos de mudança”, considera Janer. Em breve, a equipe do Polo Astronômico iniciará a construção de um novo analema, que passará a integrar a agenda de turistas, alunos e educadores que visitam o espaço.

Meio-dia solar

As marcações foram realizadas semanalmente, sempre às 12 horas e às 12h38, gerando dois analemas (na foto representados com as cores amarelo e azul). Tais horários referem-se ao meio-dia do horário nacional (horário de Brasília); e ao meio-dia solar verdadeiro na cidade de Foz do Iguaçu. Janer explica que, apesar de seguirem um horário comum, por estarem geograficamente em medianos distintos, o meio-dia “verdadeiro” muda de cidade para cidade.

Polo astronômico

Localizado no PTI -Parque Tecnológico Itaipu-, o Polo Astronômico Casimiro Montenegro Filho é um centro de ciências, que realiza atividades de ensino, pesquisa e divulgação científica. Na área de ensino, atua na formação de professores em Astronomia, pois no Estado Paraná está ciência é diciplina estruturante do currículo de Ciências, este curso possibilita a melhoria da qualidade de ensino e contribuindo para a construção de uma cultura científica regional. O espaço também desenvolve pesquisas integradas a uma rede internacional de observações de corpos menores do sistema solar e evidencia a popularização das ciências, atendendo turistas de todo o Brasil.

Com informações de Assessoria


  


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