COTIDIANO

Cerca de oito mil pessoas caminharam pelas ruas de Guaíra contra a demarcação

A FUNAI vem buscando finalizar os estudos e o processo de criação da reserva guarani-kaiowá com a pretensão de ocupar 11 mil alqueires

Paraná
Manifesto | 06/12/2017 22h13

A população guairense conseguiu fazer o que pretendia; manifestar de forma pacífica e levar seu recado ao Governo Federal, Ministério Público, Justiça Federal e FUNAI, dizendo “não” à demarcação (Foto: Organização Nacional de Garantia ao Direito )

Nem a chuva conseguiu segurar a população que saiu às ruas em manifesto à demarcação de terras indígenas em Guaíra. Marcada para acontecer às 13h desta quarta-feira (06), a aglomeração de gente teve início mais cedo, com a presença de produtores rurais, comerciantes, donas de casa, representantes do Legislativo e da prefeitura. A boa surpresa foi a grande participação de vizinhos, das cidades de Terra Roxa, Marechal Cândido Rondon, Mercedes e Mundo Novo. A cidade parou para a passeata, com os comércios todos fechados.

A população guairense conseguiu fazer o que pretendia; manifestar de forma pacífica e levar seu recado ao Governo Federal, Ministério Público, Justiça Federal e FUNAI, dizendo “não” à demarcação. Carregando bandeiras do Brasil, além de cartazes e faixas, a caminhada teve início na frente do Banco do Brasil e seguiu sentido ao Ministério Público, onde foi cantado o Hino Nacional. Na sequência, seguiram até próximo à ponte Ayrton Senna, onde cantaram mais uma vez o hino e chamaram a atenção de outras pessoas, que seguiam para a ponte sentido Mato Grosso do Sul e Paraguai, como também, sentido Paraná, para o problema que Guaíra enfrenta.

Há alguns anos, a FUNAI vem buscando finalizar os estudos e o processo de criação da reserva guarani-kaiowá (a “tekowá/guaçu/guairá”), com a pretensão de ocupar 11 mil alqueires (cerca de 30 mil hectares) do território dos municípios de Guaíra e Terra Roxa, correspondente a 30% da área agricultável que circunda os rios Paraná, Taquari e Iguaçu. No meio desse território pretendido pela FUNAI, estão milhares de colonos que ali habitam e produzem desde o século passado. Além disso, através do mapa, é possível ver boa parte da área urbana ameaçada.

No momento final do manifesto, algumas pessoas aproveitaram para reforçar o pedido de união aos guairenses, como o Presidente do Sindicato Rural de Guaíra, Silvanir Rosset, que citou o triste fim de Suiá Missu, agora terra fantasma desde que passou a pertencer à reserva indígena dos índios Xavantes, e citou que ONGs estrangeiras estão por trás das nossas riquezas, e que devemos agir o quanto antes. Na oportunidade, a advogada e produtora guairense,Simone Vanin, destacou que Guaíra foi colonizada há mais de 50 anos, e que na época não havia nenhum índio. Já o prefeito de Terra Roxa, Altair Pádua, falou sobre o problema que também afeta a sua comunidade e pediu a união dos municípios.

Com informações de Organização Nacional de Garantia ao Direito


  


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