COTIDIANO

Cota para mulheres não garante igualdade de gênero na política do PR

Vinte anos depois, mulheres ocupam apenas 9% dos cargos em disputa no Estado

Geral
MULHER NA POLÍTICA | 08/03/2018 11h27

Assembleia: só quatro deputadas em 54 vagas (Foto: Franklin de Freitas )

Vinte um anos depois de instituída, a cota para candidaturas femininas aumentou a presença das mulheres na política paranaense, mas em proporção muito abaixo da necessária para garantir mais igualdade na representação entre gêneros no Estado. Em 1997, quando a lei estabeleceu que os partidos teriam que reservar pelo menos 30% das vagas para candidaturas de cada sexo nas eleições para cargos proporcionais (Câmara Federal, assembleias legislativas e câmaras municipais), o Paraná não tinha nenhuma deputada federal ou estadual. Hoje, apenas oito mulheres ocupam alguns dos 88 cargos em disputa nas eleições deste ano pelo Estado, ou 9% do total. Elas são 7,4% dos parlamentares da Assembleia Legislativa e 6,6% da bancada federal. Isso apesar do eleitorado feminino representar 52% do total dos cidadãos com direito a voto no Estado. 
A participação feminina na política não corresponde sequer às cotas de gênero. Dos 7,9 milhões (7.919.740) de eleitores aptos a votar nos 399 municípios do Paraná, 4,1 milhões são mulheres (52.3%), enquanto 3,7 milhões são homens. Em Curitiba, 707 mil mulheres (53.8%) e 606 mil homens, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/PR) do início de março deste ano. 
Na eleição de 1994, quando a cota ainda não existia, dos 156 candidatos à Câmara Federal pelo Paraná, apenas sete, ou 4,49% eram mulheres, contra 149, ou 95,51% de homens. Nenhuma foi eleita. Para a Assembleia Legislativa, dos 359 candidatos, somente vinte, ou 5,57% concorreram, e novamente nenhuma conseguiu vaga no parlamento estadual. 
Evolução - Em 2014, na segunda eleição em que os partidos foram obrigados a reservar 30% das candidaturas com cota de gênero houve aumento de 13% no número de mulheres candidatas aos cargos de presidente, governador, deputado federal e estadual, em comparação com as eleições de 2010. Mesmo assim, alguns partidos sequer conseguiram cumprir a cota na campanha. No Paraná, o número de eleitas se manteve o mesmo: sete mulheres entre 88 vagas, ou 7,9% do total.
Na eleição realizada há quatro anos, quando as cotas já haviam sido instituídas há 17 anos, dos 295 candidatos à Câmara Federal no Paraná, 82 eram mulheres (27,7%) e 213 homens (72,3%). Apenas duas foram eleitas: Christiane Yared (eleita pelo PTN e hoje no PR), com 200.144 votos; e Leandre Dal Ponte (PV), com 81.181. 
Para a Assembleia, das 738 candidaturas lançadas pelos partidos no Estado, 208 ou 28,1% eram ocupadas por mulheres, contra 530, ou 71,8% de homens, mas apenas três foram eleitas: Maria Victoria (PP), com 44.870 votos; Cantora Mara Lima (PSDB), 43.549, e Cláudia Pereira (PSC), com 29.379. Com 38.926 votos, Cristina Silvestri (PPS) assumiu uma vaga na Casa em 2017, com a ida do deputado reeleito Douglas Fabrício (PPS) para a Secretaria Estadual de Esportes. Além delas, apenas Cida Borghetti (PP) foi eleita vice-governadora na chapa do governador reeleito Beto Richa (PSDB). 
Famílias - Em 2014 a eleição teve apenas uma vaga para o Senado. Contando com a senadora que já ocupava o cargo em 2014, mais as deputadas federais e estaduais pelo Paraná, sete mulheres ocupavam cargos. Três delas são esposas ou filhas de políticos influentes: Maria Victoria é filha do ministro da Saúde e deputado federal licenciado Ricardo Barros (PP) e da vice-governadora Cida Borghetti; Cristina Silvestri é casada com o ex-deputado Cezar Silvestri; e Cláudia Pereira é esposa do prefeito de Foz, Reni Pereira. 
Em toda história, o Estado nunca foi governado por uma mulher. Teve apenas duas vice-governadoras, Emília Belinati, vice de Jaime Lerner por dois mandatos; e Cida Borghetti, atual vice de Beto Richa. Elas assumiram interinamente o poder, mas nunca em definitivo. Caso Richa renuncie para disputar o Senado, pela primeira vez o Paraná tera uma mulher no comando.

Curitiba teve recorde de eleitas
Em 2016, nas eleições municipais, embora o número de mulheres eleitas para as prefeituras do Paraná tenha caido 25% em relação ao pleito de 2012, Curitiba foi a segunda capital do país que mais elegeu mulheres para o Legislativo, saindo de cinco vereadoras eleitas em 2012 para oito cadeiras femininas, formando uma bancada com 21,1% da Câmara de Vereadores da Capital com mulheres. 
Nas eleições de 2016, dos 27.949 candidatos a vereador no Paraná, 9.148 ou 33% eram mulheres. Dos 3.843 eleitos, apenas 474 ou 12% foram mulheres. Apenas Natal (RN), que elegeu 27,6% de vereadoras, fica na frente. Apesar disso, das 399 cidades do Estado, apenas 29 são comandadas por mulheres atualmente contra 39 prefeitas eleitas em 2012.

Representação
Mulheres na política paranaense:
Senado: de três vagas, uma é ocupada pela senadora Gleisi Hoffmann (PT)
Governo: vice-governadora Cida Borghetti (PP)
Assembleia Legislativa: de 54 vagas, quatro (7,4%) são ocupadas por mulheres - Maria Victoria (PP), Cantora Mara Lima (PSDB), Cláudia Pereira (PSC), e Cristina Silvestre (suplente do PPS)
Câmara Federal: de 30 vagas, duas (6,6%) são ocupadas por mulheres - Christiane Yared (PR) e Leandre Dal Ponte (PV)
Câmara Municipal de Curitiba: de 38 vereadores, oito (21,1%) são mulheres - Fabiane Rosa (PSDC), Maria Manfron, (PP), Katia dos Animais de Rua (SD), Maria Leticia Fagundes (PV), Dona Lourdes, (PSB), Professora Josete (PT), Julieta Reis (DEM) e Noemia Rocha (PMDB).

Com informações de Bem Paraná


  


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