COTIDIANO

Estado do Paraná é propício a tornados e temporais

No dia 19 de novembro de 2015 Marechal Cândido Rondon foi atingida por um tornado

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precauções | 13/09/2018 13h38

Registro do tornado que atingiu Marechal Cândido Rondon em 2015 (Foto: Ademir Herrmann )

A qualquer instante, cerca de 2 mil tempestades estão ocorrendo ao redor do mundo – são 50 mil tempestades todos os dias e 16 milhões por ano.

Em 2015, uma tempestade severa atingiu Marechal Cândido Rondon. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmou ser um tornado. Segundo o Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) o fenômeno foi registrado às 16 horas do dia 19 de novembro e pertence à categoria F1, o qual pode apresentar ventos de 115 km/h.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, ao menos 20 pessoas ficaram feridas. Pelo menos 1,5 mil casas foram atingidas e destruídas pelo vento forte. Mais de 14 mil residências ficaram sem energia elétrica. Carros e caminhões foram tombados. Placas e árvores arrancadas. Famílias desabrigadas. A cidade virou cena de um filme trágico.

Além do senso comum

O Brasil é o segundo país com maior número de incidência de tornados. A região Oeste, Sudoeste e Noroeste do Paraná são mais suscetíveis à incidência destes, porque estão próximas a uma grande planície denominada Chaco e ao local de encontro de massas de ar provindas do Equador e da Antártida. Isso proporciona a criação de complexos convectivos com grandes nuvens de tempestade.

A estação de meteorologia do Paraná não captou o tornado no município, mas foi possível identificar o fenômeno pelas imagens, pela formação de nuvens favorável, e pelo registro de ventos e quantidade de chuva. “Algumas nuvens vão além do senso comum, de que o tempo está apenas meio estranho”, ressalta Leila.

Os trabalhos relacionados à catalogação dos tornados no Paraná iniciaram em 2014 com a pesquisa de Marcos Balicki e posteriormente de Nayara Almeida. “No começo, não imaginávamos que seríamos vítimas do próprio objeto de pesquisa. No entanto, isto serviu de grande aprendizado, pois o tornado que ocorreu em Marechal com vários vórtices não é muito comum, é extremamente violento e nos sensibilizou na causa de orientar as pessoas a respeito do que fazer nestes momentos”, ressalta Karin.

O grupo de pesquisa Gedens (Grupo de Estudo de Desastres Naturais e Sócio Ambientais), de Marechal Cândido Rondon, coordenado pela professora e geógrafa Karin Linete Hornes,foi criado e oficializado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, campus rondonense em 2016. Nele se estuda os desastres relacionados à condição climática e biológica, questão de saúde e várias outras frentes, tanto que é multidisciplinar formado por arquiteta, geógrafos, geólogos, professores de educação física, letras, fisioterapeutas, psicólogos, físicos, nutricionistas, bombeiros e funcionários públicos.

A intenção é produzir pesquisas e conhecimento para melhorar a sociedade, pois a função da Universidade é essa.

Neste sentido, os estudos começaram a partir de tempestades severas, como o tornado que aconteceu em Marechal Cândido Rondon.

As professoras Leila Limberger e Isabel Tamara Pedron estudam os fenômenos do El Niño.

A Gabriela de Bona Wild Henke estuda as áreas verdes, que melhoram a condição da saúde.

O Rafael Krupiniski e a Ana Carolina Selzler trabalham com a hanseníase e a saúde urbana.

A Carolina Benegas Santin e a Larissa Canossa Schulz estão catalogando os tornados que acontecem no Paraná. A Larissa também pesquisa as assinaturas dos tornados na imagem de radar.

“Isso não acontece aqui”

Esse é um grande engano. É preciso assumir que o Paraná é um local de acontecimento de tempestades severas, onde pode acontecer tornados, vendavais e granizo e manter-se orientado quanto a estas situações é imprescindível para salvar vidas. Para tanto, o grupo Gedens preparou um folder em conjunto com o Labelea (Laboratório de Ensino de Leitura e Escrita Acadêmica), Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil do município para orientar as pessoas. “Quisemos passar informações através desse folder porque em 2015, no levantamento do tornado, percebemos que a maior parte das pessoas não sabe o que fazer. Aliás, nem sabe que o Paraná é área de tornado. Grande parte da população tomou decisões erradas no momento”, alerta Karin, “as pessoas foram segurar portas de vidro e janelas, pensando que estavam se protegendo, mas na verdade, não, algumas delas acabaram indo em direção ao tornado”.

Veja o que aconteceu em Marechal Cândido Rondon, “um minuto antes do ginásio de esportes vir ao chão é que foram retiradas as crianças”, comenta Karin.

Precisamos pensar numa Marechal Cândido Rondon para o futuro, um município resiliente, que seja capaz de enfrentar os problemas que possam ocorrer, seja de ordem ambiental ou social e que consiga se reestabelecer.

Desta forma, a professora Leila acrescenta que há uma pesquisa a longo prazo na questão climática. “Temos um projeto junto com a Universidade de Londrina, vinculado ao Ceped do Paraná, através do qual fizemos uma pesquisa de previsão climática para o Estado, para quem sabe auxiliar as pessoas nesses momentos com informações, e ter maior previsibilidade”.

Está construindo? Atenção!

A arquiteta e urbanista Gabriela de Bona Wild Henke alerta ainda quem está construindo.

No período de construção é importante o armazenamento dos materiais, bem como entulhos em locais cobertos, que não sejam atingidos por chuva ou vento, a fim de evitar que voem causando acidentes;

A utilização de vidro em frente de casas, fachadas, vitrines deve seguir rigorosamente a legislação evitando que quebrem com facilidade;

Prever ao menos um ambiente com laje tanto em residências quanto em indústrias, barracões, por ser mais seguro;

Toda construção deve ter acompanhamento de um profissional (engenheiro, arquiteto).

Fique alerta!

Em Marechal Cândido Rondon já aconteceram dois tornados.

“Tempestades são mais comuns que incêndios em escolas, é preciso sensibilizar as pessoas quanto a isso”, Karin destaca.

A partir de agora até novembro há possibilidade de ter tempestades severas, a professora Leila chama atenção para o período de primavera. Este é o momento em que os sistemas do inverno ainda atuam com a força que vem da Antártica e os sistemas do verão começando a aparecer. “Bem na nossa região esses sistemas se encontram e lutam e nós sofremos as consequências”, explica.

É possível acontecer tempestades severas no verão e no inverno, mas nos períodos de transição, a probabilidade é maior, ou seja, até maio teremos o maior período de ocorrência.

Antes da tempestade

Elabore um plano de comunicação familiar: oriente crianças e familiares sobre o que fazer, caso os telefones deixem de funcionar;

Escute rádio para obter informações e instruções;

Esteja atento às alterações nas condições do tempo;

Evite sair quando houver previsão de tempo severo;

Verifique na sua residência quais os locais mais reforçados (de preferência com laje) e oriente os familiares a utilizá-los em caso de tempestade;

Ao sinal de tempestade, desligue os aparelhos elétricos e o gás;

Tenha sempre à mão: lanterna, rádio, pilhas e celular com boa carga de bateria;

Permaneça em local seguro, longe de janelas e portas. Evite segurá-las, pois há risco de acidentes;

Evite abrigar-se em ginásios, posto de combustível e locais com telhados amplos;

Se estiver na rua, procure abrigo no prédio mais próximo e, de preferência, nos pisos inferiores, próximos a escadas;

Nunca fique embaixo de árvores ou postes. Se não houver local seguro, permaneça dentro do veículo.

Durante a tempestade

Não toque em fios elétricos;

Economize água, baterias e gás;

Não trafegue por áreas atingidas, pois sua curiosidade dificulta o atendimento dos necessitados;

Se você estiver em campo aberto, procure valeta e depressões. Nesta situação, deite-se encolhido protegendo a cabeça;

Caso o veículo seja atingido por destroços, pare-o, continue com o cinto de segurança e cubra a cabeça com os braços;

Se estiver com pessoas feridas, ligue para o Corpo de Bombeiros: 193;

Siga as orientações da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, para sua própria segurança.

Permaneça informado

Para receber os alertas da Defesa Civil sobre ocorrências de chuvas de granizo, tempestades e vendavais, basta se cadastrar, enviando um SMS gratuitamente para o número 40199, com o CEP de sua residência ou de outros locais de interesse. Você pode cadastrar quantos endereços quiser.

Tribuna do Oeste é o jornal dos municípios, ele circula todas as quintas-feiras em Marechal Cândido Rondon, Nova Santa Rosa, Mercedes, Entre Rios do Oeste, Pato Bragado e Quatro Pontes. Informações e assinaturas: 3254-7886 ou 99974-3988.

Com informações de Jornal Tribuna do Oeste


  


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