COTIDIANO

Campanha Outubro Rosa visa conscientizar mulheres e homens para prevenção de câncer

Com campanhas fica tudo mais fácil, mas o cuidado deve permanecer o ano inteiro

Mal. Cândido Rondon, Entre Rios do Oeste, Mercedes, Nova Santa Rosa, Quatro Pontes, Paraná
saúde | 27/09/2018 14h32

Sara Susana Pinheiro Cortez ainda está em tratamento do câncer de mama (Foto: Studio Revelest )

O câncer é uma proliferação irregular de células decorrente da perda dos controles normais, resultando em crescimento e invasão descontrolados. Pode se desenvolver em qualquer tecido ou órgão e em qualquer idade.

De acordo com o cirurgião oncológico Leonardo Seyboth, que atende pacientes no Uopeccan em Cascavel, mas também, às sextas-feiras na Unidade de Saúde 24 horas e na clínica Medclin, em Marechal Cândido Rondon, “todo o câncer, por mais agressivo que seja, se encontrado na fase inicial, tem chance de cura gigantesca. Diagnosticar no início é praticamente salvar o paciente. Alguns tumores são mais “bonzinhos”, outros, como por exemplo, o câncer de pâncreas, se não for diagnosticado logo, o paciente é quase uma sentença de morte”.

Mesmo com todas as evoluções no tratamento do câncer, a doença ainda é a que mais assusta. Quando se pensa em câncer já se remete à morte. “Temos que desconstruir esse estigma”, afirma o cirurgião.

Conviver com a doença e vencê-la requer esforço e uma ‘aliança’ entre o paciente, a família, equipe médica e de saúde e a própria comunidade, tem que estar disposta a acolher.

No Jornal Tribuna do Oeste, a partir desta semana os leitores acompanharão uma série de entrevistas com mulheres que contam sobre suas dificuldades e a nova vida durante e após o câncer. Serão histórias de mulheres de luta e superação.

A equipe de reportagem do jornal também foi às ruas para saber o que as pessoas pensam sobre o câncer, o que esta palavra representa para elas. Nas legendas das fotos você pode ver o que cada entrevistado disse.

O vilão das mamas

De todos os novos casos de câncer a cada ano, cerca de 25% são câncer de mama.

“A população está aumentando, então o número de casos têm aumentado”, explica o oncologista. Percentualmente, houve um aumento discreto, “mas relacionamos isso às pessoas terem acesso mais fácil aos métodos de diagnose”. Ou seja, se mais pessoas estão procurando os diagnósticos, aparecem mais casos, mais tumores.

Sara Susana Pinheiro Cortez, de 38 anos, é rondonense, casada, e tem três filhos, duas meninas e um menino. Apesar de não tomar nenhum medicamento, nem anticoncepcional, e não ter histórico na família foi detectada com câncer no início deste ano.

Em dezembro do ano passado, a mama começou a dar sinais de algo errado, porém nada tão grave que a fizesse ficar desesperada, “pensei numa infecção por ter colocado prótese alguns anos atrás”.

Cada tumor tem sua forma de se apresentar. “Geralmente, as pessoas não procuram imediatamente o médico quando têm queixas”, ressalta Leonardo.

O oncologista explica ainda que “a prótese de mama não agrava as chances. O que acontece é que depende como ela está posicionada fica difícil de diagnosticar através de exame físico”. Além disso, a prótese não é machucada com os exames.

Sara conseguiu ultrassom só para o dia 23 de março deste ano. Antes disso, em janeiro, fez um detox com água e limão, “foi aí que fiquei preocupada, apareceram manchas na mama, ela foi ficando roxa e quente”, mas a guerreira precisava esperar os exames. “Meu cirurgião plástico dava certeza de que não era nada, e fui negligente por ele ser médico e eu não conhecer da doença”.

No dia do ultrassom, “quando vi o nódulo na imagem, sabia que era câncer. Na sexta-feira santa o exame estava pronto, entretanto não quis buscar para não estragar a Páscoa de ninguém”.

Não demorou 15 dias para iniciar o tratamento. No dia 11 de abril já fez a primeira quimioterapia. “Foi tudo muito rápido, graças a Deus”, ela conta.

O tratamento é muito relativo. “Em alguns hospitais, as pacientes com câncer de mama nunca recebem alta pela chance de o câncer voltar apesar de 10 ou 20 anos de tratamento”, conta o oncologista. E isso depende muito da extensão da doença, da forma com que ela está alastrada ou não.

Para Sara, o tratamento está sendo bastante positivo. “Já fiz as quatro aplicações vermelhas e foi retirada a mama esquerda inteira. Havia dez linfonodos, um deles comprometido. Ainda faço as quimios brancas, mas quando tiraram a mama, 70% do câncer já tinha ido embora”.

Outubro Rosa

Outubro é o mês da prevenção do câncer de mama, o movimento nasceu na década de 1990 e é celebrado anualmente no mundo todo. Nessa época, cidades são coloridas de rosa alertando sobre a neoplasia.

De acordo com Silmara Pazini, presidente do Conselho da Mulher Empresária de Marechal Cândido Rondon, a campanha existe há oito anos no município. “Sempre se pensa no alto índice de pessoas com câncer, mas também é alto o índice de pessoas que se curam. Por isso, para nós, do Conselho da Mulher é gratificante levantar essa bandeira, ir de encontro com os anseios das mulheres nessa luta, mostrando que pertencem a um grupo que batalha por elas”, comenta.

Durante a campanha, há maior compartilhamento de informações, promoção da conscientização, possibilidade maior de acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento contribuindo para a redução da mortalidade. “Sabemos que as mulheres têm família, marido, filhos e uma vida, então, apoiamos para que enfrentem as dificuldades, o medo e a falta de tempo, previnam-se e façam o diagnóstico o mais cedo possível”, complementa a presidente.

Todos os anos, busca-se fazer uma ação diferente, para que a comunidade sinta vontade de participar. “Este ano faremos um evento no lago para as famílias”.

Em Marechal Rondon, há um grupo de apoio com empresárias e mulheres em tratamento e curadas. Elas compartilham dos seus momentos. “Isso é muito importante para todas nós que participamos. Temos a sensação de estar sendo cuidada. Uma ajuda a outra, é muito legal”, completa Silmara.

Mais ações

“Em algumas regiões do Brasil faltam mamógrafos, todavia a região sul não se enquadra nesse caso”, afirma o oncologista. Confirmando o fato de que a prevenção e o tratamento estão ao alcance da população, a secretária de Saúde de Marechal Rondon, Marciane Specht,esclarece que o município possui uma agenda semanal gratuita de atendimentos, em todas as unidades de saúde o ano inteiro. Nos últimos oitos meses já foram realizados 1.546 exames de Papanicolau e 768 mamografias. “Vamos intensificar a realização nessa campanha para as mulheres que ainda não fizeram seus exames de rotina neste ano terem oportunidade”, enfatiza. É necessário ressaltar, que “conseguimos, 150 cotas de exames a mais do que as mensais”.

Cronograma especial

02/10 - atendimento estendido das 17 às 19 horas em todas as unidades de saúde do município, inclusive no interior, com agendamento do preventivo e mamografia

16/10 - Dia D – atendimento e agendamento de exames estendido das 17 às 20 horas

Sábados (06 e 20/10 e 10/11) – realização de 50 exames por dia, em Toledo através de cotas do SUS. Agendamento no posto de saúde dos bairros. Haverá transporte saindo dos postos.

Todo mês de outubro - articulado com a Assistência Social arrecadação de lenços para as mulheres em tratamento na Uopeccan de Cascavel

Novembro – doação dos lenços

Homens de rosa

O cirurgião Leonardo alerta o que pouco se fala, no entanto, o câncer de mama atinge também os homens. Embora em apenas 1% dos casos, a atenção deve ser mantida.

“Nunca se deve pensar que um nódulo é besteira. Do mesmo jeito que acontece com as mulheres, quanto antes descobrir, mais chance de curar. O tratamento é igual”, esclarece.

“E como não é mais tabu o homem usar rosa, acreditamos que a participação deles na campanha deste ano será grande e é muito importante”, completa Silmara.

Conselhos valiosos

A prevenção se deve principalmente aos hábitos de vida.

Sara conta que cuidava da alimentação, mas era sedentária. “Não ia pra academia de preguiça. Por algumas dorzinhas ia deixando de ir, não ia num dia, não ia no outro e não fui mais”. E dá graças a Deus que a inflamação não foi para o resto do corpo. “Gostaria que as mulheres dessem mais valor à prevenção, mais valor a elas”, pede.

E “já que o Outubro Rosa está aí, aconselhamos a procurar o médico sempre que possível. Afinal, tudo que é diagnosticado cedo é tratado cedo, e os pacientes vão para casa menos mutilados e mais felizes”, completa Leonardo Seyboth.

Sara reconhece que o agravante da doença foi uma inflamação de muito tempo no seio. Inflamações geram células cancerígenas. “Por isso, qualquer inflamação, seja na unha do pé, precisamos estar atentos. Eu deveria ter procurado o diagnóstico antes, porém quando fui já tinha câncer”.

Para pensar

Quando você é detectada com câncer, ainda mais um câncer que mata tantas mulheres, começa a ver o outro lado da vida. Muitas vezes, queremos tantas coisas e temos a vida, mas não damos valor. Temos saúde, família, o dia a dia e nada está bom. O ser humano é assim. Buscamos tanto e quando nos encontramos dessa forma, vendo crianças que ainda têm tanto para viver e jovens que estão comprometidos com a doença, a ficha cai e a gente percebe que precisa correr atrás do melhor.

Mulheres, cuidem da saúde de forma responsável. A caminhada deveria ser como respirar. Evitar açúcares, embutidos, enlatados, evitar que eu digo é não comer mesmo. Ir para o orgânico, “ah, mas é caro. Que bom que você está se valorizando! Se você tem condições, tenha na sua horta. O anticoncepcional é um vilão também. Mulherada busquem um refúgio. Mesmo que sejam donas de casa, não fiquem presas dentro de casa.

Saia, vá caminhar, dê risada, convide as amigas para ir no lago. O estresse, o sedentarismo e o nervosismo também ajudam a desenvolver o câncer. Está chovendo? Que bom! Vamos fazer um programa de família em casa. Tem sol? Que delícia! Vamos sair, dar uma voltinha na cidade. Não arrume desculpas.

A autoestima fica meio abalada. Ficamos indispostas, o nariz sangra, as unhas caem, ficamos inchadas. Por mais difícil que seja o tratamento, busque dentro de você o que resta, nem que seja 1% de chance. Precisamos cuidar bem da gente, da imunidade, manter uma alimentação saudável. Você pode estar careca, sem um peito, debilitada, não dá dois lances de escada já está cansada, mas o tratamento é necessário.

Veja quem está contigo, a família, filhos, amigos, o marido, pessoas em oração. Busque viver! Temos muita coisa para fazer de bom ainda. Tem muito chão para percorrer.

E que os homens incentivem e ajudem as mulheres, “vamos caminhar”, “deixa a louça pra depois, eu te ajudo”, “te ajudo com as crianças”. Homens, olhem para suas esposas com amor e parceria, estão juntos para se ajudar. A esposa também não quer que o marido tenha câncer.  Evitem comer e beber exageradamente, não há necessidade. Quando encontramos no outro o apoio que precisamos fica muito mais fácil.

Tribuna do Oeste é o jornal dos municípios, ele circula todas as quintas-feiras em Marechal Cândido Rondon, Nova Santa Rosa, Mercedes, Entre Rios do Oeste, Pato Bragado e Quatro Pontes. Informações e assinaturas: 3254-7886 ou 99974-3988.

Com informações de Jornal Tribuna do Oeste


  


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