COTIDIANO

Calma na hora da colheita é a chave para aproveitar melhor os grãos

Pelo menos 80% das lavouras desta safrinha deve ter alto potencial produtivo

Mal. Cândido Rondon, Entre Rios do Oeste, Mercedes, Nova Santa Rosa, Quatro Pontes, Pato Bragado, Paraná
produção | 07/06/2019 13h50

Colheita de milho safrinha na Linha São José, no Município de Quatro Pontes (Foto: Arquivo/Tribuna do Oeste )

A colheita do milho safrinha ainda está bastante tímida, iniciou há poucos dias e poucas áreas foram colhidas, elas se referem àquelas plantadas com antecedência. Já as áreas semeadas dentro da normalidade podem ser colhidas até o mês de agosto.

Como o próprio Governo do Estado divulgou, as expectativas são excelentes, tanto na colheita como nos lucros. Engenheiros e agricultores estão com boas esperanças para esta safra. Acredita-se que, pelo menos 80% das lavouras terá um alto potencial produtivo.

O engenheiro agrônomo, Genésio Onorio Seidel, gerente da unidade de Quatro Pontes da Cooperativa Agroindustrial Copagril, comenta que “como a última safra de soja sofreu uma estiagem e a colheita foi antecipada, o milho foi semeado mais cedo e a colheita também está antecipada”.

De acordo com Cristiano da Cunha, engenheiro agrônomo e consultor de campo pela Agrícola Horizonte de Marechal Cândido Rondon, “as áreas colhidas até agora foram aquelas que tiveram problemas”.

A seca ocorrida na fase inicial do milho facilitou a ocorrência de pragas, lagartas, e cigarrinhas, o que acabou ocasionando em algumas áreas o enfezamento do milho, mas não chega a comprometer a produtividade média regional.

Valores de comercialização

O cenário de valores é bastante variável. Não é tão simples fazer uma previsão devido à dinamicidade do mercado. Genésio ressalta que, “normalmente quando inicia uma safra se tem uma retração de preços. A expectativa inicial era que houvesse queda, entretanto, não é o que estamos verificando. Os preços estão reagindo no mercado”.

O plantio de outros estados do Brasil e mesmo do exterior reflete nos valores dos grãos na região Oeste do Paraná.

“Há 20 dias tínhamos um cenário bastante difícil com baixas sucessivas, porém isso mudou devido ao plantio americano. A janela de plantio deles terminou e menos da metade da área está plantada. O milho já teve uma alta significativa e a perspectiva é que suba mais um pouco, caso o dólar permaneça no patamar em que está e também se os americanos não conseguirem concluir o plantio”, complementa Cristiano.

Embora as expectativas sejam excelentes, os valores são imprevisíveis.

Vai sobrar?

Na safra do ano anterior, muitos agricultores terminaram quase no zero a zero. Alguns estão carregando dívidas daquela safra para essa. Porém, a maioria conseguiu quitar suas dívidas sem sobras. “Esta safrinha vem devolver um pouco da rentabilidade ao agricultor. De modo geral, o comércio deve ser reaquecido”, acredita Cristiano.

“Quando se tem uma colheita boa, com preços atrativos, é aconselhável que o produtor venda seus produtos, pois, terá bons lucros. Este também é o momento para ver como estão suas finanças. Em caso de dívidas é importante fazer os pagamentos. E, claro, também aproveitar para investir no solo, em reformas na propriedade e aquisição de equipamentos”.

Próximos passos

Tão logo acaba uma safra, o agricultor inicia o planejamento da próxima. Cristiano comenta que muitos agricultores estão com esse planejamento quase pronto, “fazendo a aquisição de insumos, sementes, fertilizantes e dos defensivos que serão necessários”.

Em relação às lavouras, “após o período de colheita do milho, os agricultores deixam-na sem novas plantações, e durante o inverno, algumas plantas tomam conta da área servindo para a “rotação de cultura”. Elas deixam o solo protegido das intempéries como chuvas pesadas e fazem o serviço de descompactação do solo mantendo uma vida microbiana mais adequada no local até iniciar a próxima safra”, explica o engenheiro da Agrícola Horizonte.

Os profissionais frisam que, os próximos passos após a colheita são realizar as correções necessárias no solo, aplicar calcário ou gesso, reformar os terraços que estão desgastados, revisar como estão as curvas de nível, iniciar o manejo das plantas daninhas para evitar problemas no futuro. Genésio salienta que “este é período mais longo entre colheita e um novo plantio onde se tem a possibilidade para fazer as correções”. “Assim, em setembro, tudo deve estar em dia para realizar a próxima safra”, frisa Cristiano.

Calma, agricultor

“Não acelere muito o processo da colheita. Colha com calma para evitar perdas. Colha com a umidade certa. Quanto maior o teor da umidade do produto, maior será o desconto, maior o custo com frete, que é pago sobre o peso bruto, e se o produto é muito úmido fica mais pesado. Aproveite também para tirar dúvidas com técnicos para analisar o solo e ver o que é possível melhorar”, finaliza Genésio.

Com informações de Jornal Tribuna do Oeste


  


Comentários

ACESSAR SUA CONTA PARA COMENTAR    ou   CADASTRE-SE

Comente esta notícia

Ao enviar seu comentário você concorda com os Termos de Uso deste espaço.


 
Facebook Twitter WhatsApp