COTIDIANO

Aeronave que caiu em Cascavel não tinha autorização para sobrevoar cidades

Modelo avaliado em mais de meio milhão é somente para testes e aerodesporto

Paraná
Aeronave | 09/06/2019 16h42

O voo realizado de Valinhos - São Paulo até Cascavel - local da queda da aeronave deveria ser considerado irregular, mas o Cenipa denunciou que as normativas da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) foram feitas sob pressão da indústria.

Aeronaves semelhantes às do acidente, apesar de não possuírem certificado de aero-navegabilidade navegam livremente longas distâncias.

Aviões sem certificados, como é o caso do modelo - "Vans Aicraft RV-10" - , não pode fazer nenhum tipo de voo em áreas povoadas, ou seja, sob hipótese alguma sobrevoar em cidades, já que leva risco a outras pessoas. O acidente foi próximo de condomínios residenciais da região Oeste da cidade.

O advogado Nelson da Silva Junior, conta que as fabricantes estão suspensas da lista da Anac para conseguir a venda ao público. E ressalta, que a venda neste momento é ilegal. "Essas aeronaves servem somente para aerodesporto e para teste exclusivo do fabricante", aponta.

Em nota, a Anac informou que as fabricantes "Flyer", "Octans" (antiga Inpaer), "Paradise" e "Galindo e Galindo" tiveram o direito suspenso, pois não cumpriram etapas necessárias. "Devido ao não cumprimento com alguma etapa do programa, as empresas acima estão suspensas dos privilégios do programa podendo a qualquer momento recupera-los mediante o cumprimento das etapas atrasadas".

Esse tipo de aeronave também não é autorizada para Táxi Aéreo.

A aeronave foi retirada do local do acidente ainda na noite de sábado (8).

Investigação

O acidente, que deixou quatro pessoas feridas, será investigado pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) que pertence a Força Aérea Brasileira.

Até 2015, segundo Junior, não havia investigação em casos de acidentes com aviões experimentais. Porém com a morte do jovem Vitor Augusto, de 19 anos,que saia do Aeroporto Luiz Dalcanalle Filho, em Toledo, em uma aeronave similar apresentou falha mecânica e caiu, muita coisa mudou. As investigações começaram e muitas irregularidades foram encontradas.

 aeronave que Vitor Augusto pilotava, por exemplo, deveria ter a troca da mangueira de combustível já antes do primeiro voo na fábrica, mas o fabricante além de não trocar, mentiu que trocou, por isso desprendeu fragmentos e o acidente foi inevitável.

Além disso, foi identificada a venda dessas aeronaves, bem como voos interestaduais, e até transporte de passageiros via táxi aéreo.

Valor de mercado

A aeronave de fabricação "experimental" Vans Aicraft RV-10 que caiu na plantação de milho próximo da pista do Clube de Ultraleve, tem um alto valor de mercado, o exemplar do ano de 2011 é avaliado em aproximadamente R$750 mil. Nova ela pode custar mais de um milhão de reais.

Com informações de CATVE


  


Comentários

ACESSAR SUA CONTA PARA COMENTAR    ou   CADASTRE-SE

Comente esta notícia

Ao enviar seu comentário você concorda com os Termos de Uso deste espaço.


 
Facebook Twitter WhatsApp