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Mulher que passou a madrugada sendo torturada pelo namorado no PR relata momentos de terror: “Me enforcava até sumir todo o meu ar”

Homem foi preso pelo crime de tortura com resultado de lesão grave. Vítima contou que agressões foram filmadas pelo namorado. Polícia apreendeu o celular dele e confirmou a existência das imagens

Paraná
crime | 03/04/2025 10h05

(Foto: Arquivo pessoal )

Rosângela Pimenta Pereira, de 31 anos, contou sobre os momentos de terror que passou ao ser torturada durante a madrugada de terça-feira (1º), pelo namorado Anderson Rocha Campos, de 38 anos, em Terra Rica, no noroeste do Paraná. 

Segundo a vítima, o motivo das agressões foi o comentário de um homem em uma publicação que ela fez para comemorar sete meses de namoro com o companheiro. Anderson foi encontrado pela Polícia Civil (PC-PR) enquanto trabalhava como pintor e está preso na cadeia pública de Nova Londrina.

Segundo Rosangela, o comentário dizia "parabéns, felicidades para vocês" e foi feito por uma pessoa que ela não conhecia.

Ela contou que a discussão sobre a publicação começou quando o casal estava voltando para a casa. Chegando no imóvel, as agressões verbais evoluíram para agressões físicas e Anderson começou a filmar a situação.

Depois de algum tempo, a vítima diz que o assunto sobre o comentário na postagem encerrou e ele começou a questioná-la sobre supostos vídeos com conteúdos sexuais que ela teria feito. Rosangela afirmou que nunca fez esse tipo de gravação, mas foi enforcada e forçada a admitir que tinha feito.

"Ele começou a me enforcar e ele enforcava, até sumir todo meu ar, até a hora que eu ficava praticamente morta. Depois ele trazia de volta e falava para mim 'eu vou contar até três, se você não admitir aqui para câmera eu vou continuar' e ele contava um, dois, três e enforcava de novo. Até que eu não conseguia mais respirar ", contou.

Rosangela contou que as agressões começaram por volta das 1h e duraram até às 7h, quando o pai de Anderson parou na frente da casa e chamou ele para ir trabalhar. Além de ser enforcada, ela também recebeu socos, chutes e puxões de cabelo.

"Ele começou a bater, a xingar, dar socos. Ele puxava no meu cabelo, me jogava no chão. No começo eu tentei revidar também para me defender, mas foi muito pouco, porque eu não era forte o suficiente. Acabou minhas forças. Depois disso isso continuou das uma hora até sete horas da manhã. Muito soco na barriga, nas costas e chutes. Só na cabeça foi muito soco", relatou a vítima.

Mesmo ferida, Rosangela conseguiu pegar uma bicicleta e ir até o Hospital Municipal Cristo Redentor para pedir ajuda. Os funcionários da unidade viram a situação dela e chamaram a polícia.

Segundo o delegado, a vítima teve uma fratura no punho e lesões no rosto, pescoço e peito. Ele ficou internada, mas recebeu alta na tarde de terça-feira.

O delegado José Júlio, responsável pelo caso, disse que o celular do homem foi apreendido e no aparelho foram encontradas as imagens de Anderson batendo em Rosangela. O celular dela também foi encontrado com ele e foi recuperado.

Anderson foi preso em flagrante pelo crime de tortura com resultado de lesão grave e, após a audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva. Ele segue detido na cadeia pública de Nova Londrina.

Conforme o delegado, o inquérito policial sobre o caso já foi finalizado e remetido ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). O processo está sob sigilo.

Vítima conta que Anderson era agressivo

Rosangela contou que já tinha sido agredida por Anderson em outras três ocasiões, com tapas e apertões no pulso. Todas as vezes, as agressões eram motivadas por ciúmes, segundo a vítima.

Ela conta que não podia trabalhar ou sair de casa e era proibida de falar com amigos e familiares. De acordo com Rosangela, o celular dela sempre estava em posse do namorado, que levava o aparelho para o trabalho.

"No outro dia, ele sempre chorava e pedia perdão e dizia que fazia aquilo porque me amava", contou a vítima.

Segundo Rosangela, os dois se conheceram na escola, quando eram adolescentes, mas depois se separaram e ambos casaram com outras pessoas e não se viram mais. Após um tempo, o casal se reencontrou e, em um mês, foram morar juntos.

Ela diz que em todas as brigas, Anderson usava o reencontro como motivo para que ela o perdoasse, dizendo que "não era à toa que estavam juntos".

Após ser torturada, Rosangela solicitou uma medida protetiva de urgência contra Anderson. O pedido foi acatado pela Justiça.

"Estou aliviada por ter conseguido denunciar, mas quando fecho os olhos, parece que estou vendo tudo aquilo acontecendo. É muito ruim. Eu espero que ele pague por isso e que fique muito tempo na cadeia. Eu não desejo isso para ninguém, pois nem dormir direito eu estou conseguindo. Fora o corpo todo dolorido, o psicológico ficou acabado demais", finalizou.

Com informações de G1 Paraná


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